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5 motivos para o INSS negar o auxílio-doença por depressão

A depressão é uma doença silenciosa que, muitas vezes, impede a pessoa de trabalhar, de manter o ritmo no emprego ou até de comparecer diariamente ao serviço. Ainda assim, muitos esbarram em negativas ao pedir auxílio-doença ao INSS, mesmo após tentativas frustrantes e longas esperas. Entender por que isso acontece é o primeiro passo para reverter uma decisão injusta e buscar a proteção que a lei oferece.

Como funciona o auxílio-doença por depressão?

O auxílio-doença, atualmente chamado também de benefício por incapacidade temporária, é um direito de segurados do INSS que, por motivo de doença ou acidente, ficam temporariamente incapazes de trabalhar. Entre as doenças mais frequentes no INSS está a depressão, que pode, sim, afastar a pessoa do trabalho tanto quanto qualquer problema físico.

Para que o benefício seja concedido, é necessário comprovar a incapacidade temporária de trabalhar devido à doença, com laudos, exames e documentos atualizados. Mas, quando se trata de depressão, esse processo ganha nuances específicas, o que pode levar à negação por parte do INSS.

Nem todo laudo é suficiente.

A equipe do Dias Ribeiro Advocacia acompanha muitos desses casos diariamente e sabe que a negativa é dolorosa. Mas, dominar as razões pelas quais o benefício é negado e saber como agir pode abrir caminhos. Nesta análise, serão apresentados 5 motivos recorrentes que levam à recusa do auxílio-doença por depressão, detalhando como prevenir, contornar ou, até mesmo, reverter essas situações.

1. Falta de documentação médica adequada

O laudo médico é o principal documento analisado pelo INSS. Porém, muita gente entrega laudos incompletos ou sem detalhamento suficiente, o que pode resultar em negativa do pedido. Laudos genéricos, apenas com o CID da doença (por exemplo, F32.2 para episódio depressivo grave), sem descrever como a depressão causa a incapacidade para o trabalho, são descartados rapidamente pelos peritos.

Detalhes fazem diferença nos laudos médicos.

Um laudo completo precisa apresentar o diagnóstico, os sintomas, evolução da doença, tratamentos feitos, medicamentos utilizados, resposta ao tratamento e, principalmente, a avaliação sobre a real limitação para o trabalho. Nem sempre o simples diagnóstico de depressão implica incapacidade. É necessário demonstrar o impacto da doença na rotina e na função laboral.

  • Data de início dos sintomas;
  • Prognóstico do quadro, isto é, se prevê melhora em curto ou longo prazo;
  • Restrição clínica bem explicitada, como “impossibilidade de exercer funções com contato com o público”, ou “não consegue manter concentração por tempo suficiente para exercer tarefas rotineiras”.

Outro erro é apresentar laudos antigos. Laudos com mais de 90 dias raramente são aceitos, pois o INSS entende que o quadro pode ter se alterado. O ideal é um laudo recente e emitido por profissional habilitado, preferencialmente um psiquiatra.

Segundo observação de especialistas do Dias Ribeiro Advocacia, esse costuma ser o primeiro ponto de atenção para quem busca o auxílio-doença por depressão.

2. Ausência de vínculo ou carência insuficiente

Não é só a doença que conta. Outro motivo frequente de negativa está no não preenchimento dos requisitos legais de qualidade de segurado e carência junto ao INSS.

É fundamental que a pessoa esteja “segurada” pelo INSS, ou seja, esteja contribuindo, ou dentro do período de graça, e tenha cumprido, na maioria dos casos, pelo menos 12 contribuições mensais antes do início da incapacidade. Há exceções em alguns casos, como doenças graves, acidentes de trabalho, ou pessoas já em tratamento antes da filiação, mas para a depressão, em geral, aplica-se essa regra da carência.

Documentos e formulários organizados em uma mesa

Se houve perda da condição de segurado (ficar muito tempo sem pagar INSS) ou se o número de contribuições não alcançar o exigido, o pedido de auxílio-doença por depressão é indeferido, independentemente da gravidade do quadro clínico. Por isso, é recomendável sempre verificar a situação cadastral no INSS antes de pedir o benefício.

Fique atento à “perda da qualidade de segurado”. Muitas pessoas deixam de contribuir por meses e, quando precisam, descobrem que estão sem a cobertura do benefício.

3. Parecer negativo da perícia médica do INSS

A perícia médica do INSS é determinante. O médico perito analisa documentos, faz perguntas e observa o comportamento do segurado. Na avaliação de quadros psiquiátricos, o julgamento pode ser subjetivo, já que a incapacidade nem sempre aparece em exames visuais ou laboratoriais.

A decisão depende do olhar do perito.

O perito pode entender que a depressão está controlada, mesmo que o paciente ainda relate sintomas, ou não identificar incapacidade laborativa suficiente para afastamento. Alguns fatores podem influenciar a negativação:

  • Discrepância entre o relato do segurado e as informações dos laudos;
  • Comportamento “normal” durante a perícia (se o paciente consegue manter o diálogo, o médico pode indeferir o pedido, mesmo que a depressão dificulte o trabalho em ambiente coletivo);
  • Ausência de tratamento médico regular (quem não apresenta provas de acompanhamento psiquiátrico contínuo pode ser visto como alguém sem incapacidade significativa);
  • Utilização apenas de medicação leve, sem tratamentos mais intensos, pode indicar um quadro de baixa gravidade, aos olhos do perito;
  • Falta de encaminhamento para terapias ou outros recursos, sugerindo que não se busca ativamente a recuperação.

A perícia costuma ser rápida, o que pode ser angustiante para quem tenta mostrar sua real limitação. Além disso, sintomas ou crises tendem a se agravar em dias antes da consulta, mas nem sempre no momento da avaliação. Por isso, preparar-se para a perícia é passo essencial, carregando todos os laudos, receitas e exames, e respondendo às perguntas de forma clara.

Acompanhe conteúdos com dicas sobre perícias e seus detalhes em orientações especializadas sobre benefícios e perícias.

4. Falta de comprovação da incapacidade para o trabalho

Nem toda depressão leva ao afastamento. O ponto central, além da doença diagnosticada, é o quanto ela interfere de fato na habilidade do segurado desempenhar sua atividade habitual. Muitos pedidos são negados porque, mesmo havendo o diagnóstico médico de depressão, não se consegue demonstrar que o quadro impede o trabalho.

O INSS busca saber: a depressão incapacita o trabalhador, total ou parcialmente, para exercer sua profissão? Se o segurado não mostra, de forma convincente, essa relação entre doença e incapacidade, a negativa é quase certa.

É comum a negativa quando:

  • O segurado apresenta laudos apenas apontando “depressão”, sem detalhar sintomas funcionais no local de trabalho.
  • Não há relatos de redução do desempenho profissional, afastamento anterior, advertências ou faltas ao trabalho por motivo da doença.
  • Se o paciente consegue exercer outras funções simples, mesmo fora do trabalho usual.
  • Faltam provas sobre o nível de sofrimento, limitação mental ou psicológica.

O ideal é que o médico detalhe o motivo pelo qual a depressão impede atividades como raciocínio lógico, memorização, tomada de decisão, ou socialização, por exemplo, especialmente se o profissional trabalha em áreas de alta cobrança emocional.

Laudo psiquiátrico em mãos exibindo diagnóstico de depressão

Muitos trabalhadores rurais, por exemplo, têm mais dificuldade para provar como a depressão impede suas tarefas, pois há menos documentação formal sobre o tipo de trabalho e os impactos da doença. O site Dias Ribeiro Advocacia reserva conteúdos relevantes também para esse público, como pode ser visto na seção direitos dos trabalhadores.

5. Falhas ou irregularidades nos documentos cadastrais

Por fim, o benefício pode ser negado por questões burocráticas. Dados incorretos no cadastro, documentos pessoais desatualizados, falta de informações no CNIS (Cadastro Nacional de Informações Sociais), ou divergências entre nomes e datas, tudo isso pode barrar ou atrasar o processo.

Pequenos detalhes cadastrais causam grandes problemas.

Os dados precisam estar corretos e em dia, especialmente RG, CPF, comprovantes de vínculo empregatício, e certidões diversas. Muitas vezes, o INSS solicita correções antes de analisar o mérito do pedido. Quando a documentação não está alinhada, o pedido pode ser sumariamente indeferido, nem chegando à etapa da perícia.

Também são comuns dúvidas quanto ao vínculo empregatício durante o afastamento. Se o sistema não encontra, por exemplo, contribuições recentes, pode entender que a pessoa já não trabalha ou está sem carteira assinada, resultando em negativa sumária do benefício.

  • Mantenha sempre seu cadastro atualizado na Previdência;
  • Em caso de problemas, consulte regularmente o extrato do INSS;
  • Procure ajuda profissional para analisar se há omissões em seu CNIS, como vínculos não registrados, salários incorretos ou lacunas entre períodos de trabalho;
  • Reúna toda documentação do vínculo de trabalho, principalmente se for trabalhador rural ou autônomo, situações em que a comprovação depende de mais atenção.

Perito médico avaliando documentos de paciente em consultório

No blog da Dias Ribeiro Advocacia existem exemplos de documentos que costumam gerar dúvidas, bem como dicas para evitar erros que podem atrasar a análise do INSS.

O que fazer ao receber uma negativa do INSS?

Receber uma resposta negativa do INSS ao solicitar auxílio-doença por depressão é frustrante, mas isso não é o fim do caminho. O próprio sistema do INSS prevê procedimentos de contestação e recurso administrativo.

O segurado pode apresentar novo pedido, reconsideração da decisão em até 30 dias, ou ingressar com recurso administrativo, trazendo laudos mais robustos, exames recentes e outros elementos que possam convencer o INSS.

  • Reúna documentação médica detalhada e atualizada;
  • Organize comprovantes do vínculo e da situação cadastral;
  • Anexe exames complementares (mesmo que não sejam obrigatórios, quanto mais provas, melhor);
  • Solicite apoio de profissionais especializados em previdência social, evitando erros recorrentes.

É direito do segurado, ainda, recorrer à Justiça, caso todas as tentativas administrativas sejam infrutíferas. Vale ressaltar que a via judicial requer provas consistentes e detalhamento do contexto profissional, situação social e impacto da doença.

O exemplo prático disponível nos conteúdos da Dias Ribeiro Advocacia pode inspirar quem busca reversão judicial.

Como prevenir a negativa do auxílio-doença por depressão?

Nem sempre é possível evitar as reviravoltas do INSS, mas alguns cuidados aumentam as chances de aprovação:

  • Tenha laudos médicos detalhados e atualizados, especialmente do psiquiatra;
  • Esteja em acompanhamento médico regular;
  • Descreva no laudo e na perícia o impacto real da depressão na rotina de trabalho;
  • Mantenha o cadastro no INSS atualizado;
  • Verifique periodicamente o extrato de contribuições;
  • Reúna documentação de vínculo empregatício, salários e afastamentos anteriores, se houver;
  • Em caso de autônomo ou rural, prepare documentos que comprovem a atividade desenvolvida;
  • Estude conteúdos confiáveis para conhecer seus direitos e possíveis recursos.

Se ainda assim houver indeferimento, o recurso está disponível e, quando fundamentado, pode ser um caminho seguro para conquistar o benefício.

Conclusão

Apesar de ser uma das doenças que mais afastam trabalhadores no Brasil, a depressão ainda enfrenta barreiras no reconhecimento do auxílio-doença pelo INSS. Falhas documentais, dúvidas sobre carência, insuficiência de provas da incapacidade, pareceres periciais inconsistentes e irregularidades cadastrais estão entre os objetos de negativa.

Não desista no primeiro não.

Com informação, preparo e acompanhamento jurídico, é possível aumentar as chances de sucesso ou, caso precise, contestar a decisão do INSS. O conhecimento sobre os motivos de negativa capacita o trabalhador a reunir a documentação correta, preparar a melhor defesa do seu caso e buscar rapidamente os caminhos de recurso.

Quem já passou pela frustração de um benefício negado encontrará, no projeto Dias Ribeiro Advocacia, recursos, conteúdos esclarecedores e suporte humanizado para superar obstáculos e conhecer os próprios direitos. Quer tirar dúvidas, entender detalhes do seu caso e buscar orientação segura? Aproveite a oportunidade para conhecer mais sobre os serviços disponíveis e fortalecer a jornada na busca pelos benefícios previdenciários.

Perguntas frequentes

O que é auxílio-doença por depressão?

O auxílio-doença por depressão é um benefício previdenciário concedido ao segurado do INSS que, em razão de quadro depressivo, fica temporariamente incapaz de exercer sua atividade habitual. Para receber o benefício, é preciso comprovar, por meio de laudos e exames médicos atualizados, que a depressão impossibilita o trabalho de forma temporária. O diagnóstico deve ser feito de preferência por médico psiquiatra, detalhando os sintomas, limitações e o prognóstico.

Quais documentos o INSS exige para depressão?

O INSS exige laudo médico recente, detalhado, preferencialmente de psiquiatra, indicando diagnóstico (CID), sintomas, limitações, tratamento e previsão de recuperação. Além disso, são necessários RG, CPF, comprovante de residência, carteira de trabalho, comprovantes de contribuição, exames, receitas e eventuais atestados anteriores. Para trabalhadores rurais ou autônomos, documentos que confirmem a atividade e o tempo de contribuição também são importantes.

Como recorrer a uma negativa do INSS?

Ao receber uma negativa do INSS, o segurado pode apresentar pedido de reconsideração, recurso administrativo (pela própria plataforma Meu INSS) ou, se necessário, ingressar com ação judicial. Para isso, é fundamental reunir documentos médicos novos, laudos detalhados, provas do vínculo e, de preferência, contar com o apoio de advogados especialistas, como os do Dias Ribeiro Advocacia, que podem direcionar o recurso e indicar o melhor caminho.

Por que o INSS nega auxílio por depressão?

O INSS pode negar o auxílio por depressão por diversos motivos: documentação médica incompleta ou genérica, ausência de qualidade de segurado ou da carência exigida, parecer negativo na perícia médica, falta de demonstração clara da incapacidade para o trabalho ou erros/inconsistências cadastrais no sistema do INSS.

Quanto tempo demora a análise do INSS?

A análise do pedido de auxílio-doença costuma demorar entre 30 e 45 dias, mas esse prazo pode variar conforme a demanda local, agilidade na entrega dos documentos e eventuais exigências do INSS. Em casos de recurso, a espera pode ser maior, por isso é importante acompanhar o processo regularmente pela plataforma e manter a documentação sempre atualizada.

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