Já perdi as contas de quantas vezes fui procurado por pessoas preocupadas depois do falecimento de alguém próximo. O impacto da ausência pesa, mas a responsabilidade de garantir a sobrevivência digna da família segue urgente. Nesse cenário, a pensão por morte acaba sendo fundamental para dependentes. Mas, diante de tantas dúvidas e regras, erros comuns podem custar muito – inclusive a perda do benefício. Quero compartilhar o que aprendi em anos de atendimento, detalhando o passo a passo e os pontos de atenção para quem busca o amparo previdenciário sem tropeçar.
Índice
O que é a pensão por morte?
No contexto brasileiro, a pensão por morte é um benefício mensal pago pelo INSS aos dependentes do segurado falecido. Ela garante renda a quem, por lei, tinha dependência daquele trabalhador.
O benefício existe para que a ausência do segurado não traga desequilíbrio financeiro imediato à família.
Mas quem são esses dependentes? Em minha experiência, grande parte das recusas acontece justamente por falta de informação sobre isso.
Quem tem direito ao benefício
Os dependentes são classificados em três grupos prioritários. Entender essa hierarquia é um cuidado essencial:
- Cônjuge ou companheiro(a): esposa, marido, companheira(o) em união estável, inclusive homoafetiva.
- Filhos: menores de 21 anos; de qualquer idade se inválidos ou com deficiência intelectual/mental ou grave.
- Pais: somente se o falecido não tiver dependentes nas situações acima.
- Irmãos: também somente se não houver dependentes anteriores, menores de 21, inválidos ou com deficiência.
O grau seguinte só é chamado se não existir dependente do grupo anterior. Lembro sempre que há necessidade de comprovar dependência, exceto para cônjuge, companheiro e filhos menores de 21 anos, que já são considerados dependentes presumidos.
Documentos obrigatórios para solicitação
Já vi muita gente ter o benefício negado, não por falta de direito, mas por documento inadequado. O INSS exige rigor quanto a isso. Abaixo, cito os principais documentos:
- Documentos de identificação do solicitante e do falecido
- Certidão de óbito
- Documentos que provem vínculo ou dependência (certidão de casamento, união estável, nascimento dos filhos, etc.)
- Comprovantes de recebimento de pensão alimentícia, se aplicável
- Se for companheiro(a), provas da convivência (conta conjunta, fotos, declaração de imposto de renda, correspondências em comum, etc.)
Dependendo do caso, outros documentos podem ser solicitados, como laudo médico, certidões judiciais, declarações oficiais.

Como solicitar a pensão por morte, passo a passo
Após checar o direito e separar a documentação, chegou a hora de fazer a solicitação. O processo acontece quase sempre online:
- Acesse o portal Meu INSS ou aplicativo.
- Escolha “Pensão por Morte” no menu de benefícios.
- Preencha os dados solicitados.
- Anexe os documentos digitalizados conforme guia do site.
- Finalize e acompanhe a solicitação pelo próprio portal ou aplicativo.
No caso de dúvida, é possível agendar atendimento presencial numa agência, onde o servidor também orienta sobre novas provas, se faltarem documentos.
Há situações mais delicadas, como trabalhadores rurais, pessoas com deficiência, dependentes de união estável ou menores sob guarda, que exigem documentação extra. Nesses casos, vale conferir orientações detalhadas como as que apresento na categoria de previdência do site do Dias Ribeiro Advocacia.
Principais erros no pedido de pensão por morte
Com o tempo, notei padrões nos indeferimentos do INSS. Por isso, reuni erros frequentes para que possam ser evitados:
- Documentação incompleta: Falta de certidões, laudos, ou provas da relação e dependência.
- Erros de preenchimento: Nome, datas ou informações divergentes do que está informado nos sistemas do INSS.
- Não comprovação de união estável: Falta de provas consistentes quando não existe documento oficial.
- Pedido fora do prazo: O ideal é fazer a solicitação até 90 dias após o falecimento para garantir o pagamento retroativo.
- Desconhecimento do direito: Pais ou irmãos nem sempre sabem que podem ter direito na ausência de dependentes principais.
Evitar erros simples pode evitar atrasos de meses, dor de cabeça e, em certos casos, receber menos do que se tem direito.
Quando acompanho segurados, sempre recomendo checar tudo cuidadosamente antes de enviar o pedido.
Como funciona o cálculo e duração do benefício
No passado, a pensão por morte podia ser integral. Agora, as regras mudaram. O cálculo parte do valor que o segurado recebia de aposentadoria, ou teria direito se aposentado por invalidez. Deste valor, paga-se normalmente:
- 50% do valor do benefício.
- Mais 10% para cada dependente, até chegar a 100%.
Assim, se houver apenas um dependente, receberá 60%. Dois dependentes, 70%. E assim em diante. O benefício deixa de ser pago para o dependente quando perde a condição (por exemplo, filhos ao completar 21 anos, ou cônjuge que se casa novamente em determinados casos).
Sobre a duração: para o cônjuge, pode variar de 4 meses até vitalícia, dependendo da idade, tempo do casamento e das contribuições do segurado. Para filhos, até os 21 anos, salvo exceções.

O que fazer se a pensão por morte for negada?
Sei que receber um comunicado de indeferimento é frustrante. Mas não é o fim: o segurado ou dependente pode apresentar novos documentos ou entrar com recurso administrativo pelo próprio sistema do INSS.
Se persistir a negativa mesmo com provas, o próximo passo é entrar com ação judicial – algo que pode ser feito com suporte de advogados especializados. Exploro esses caminhos em textos da categoria de orientações legais do Dias Ribeiro Advocacia.
Não desanime diante de uma negativa. Toda decisão administrativa pode ser contestada com novas provas.
O acompanhamento profissional faz diferença, principalmente em processos complexos, como casos rurais ou união estável. Tenho visto muitas recusas se transformarem em concessão, após revisão ou ação judicial, quando bem orientados.
Orientações finais para quem vai solicitar o benefício
Minha recomendação para quem busca a pensão por morte:
- Confira se o falecido possuía qualidade de segurado do INSS na data do óbito.
- Organize toda a documentação antes de iniciar o pedido.
- Preencha os dados com muita atenção no portal.
- Se possível, busque informações específicas para casos de aposentadoria, principalmente se você já é aposentado; informações úteis estão na página de aposentadoria do site
- Leia artigos sobre direitos sociais, focando em benefícios complementares, como o BPC/LOAS, listados em assistência social
O caminho burocrático é extenso, mas informação correta e detalhada faz toda a diferença neste momento, evitando desgastes e insegurança para famílias que já estão vulneráveis.
Conclusão
A pensão por morte existe para proteger quem perde um ente querido. O processo do INSS é cheio de etapas e detalhes, mas nada é impossível com orientação, organização e cautela. Espero que este texto do Dias Ribeiro Advocacia tenha esclarecido pontos práticos e dúvidas, tornando esse momento menos penoso e mais seguro. Caso precise de apoio ou deseje conhecer melhor nossos serviços para garantir seus direitos previdenciários, entre em contato e veja como posso ajudar pessoalmente.
Perguntas frequentes sobre pensão por morte
O que é pensão por morte?
Pensão por morte é um benefício previdenciário pago pelo INSS aos dependentes do segurado que veio a falecer. O objetivo é garantir a continuidade da renda para quem dependia financeiramente do segurado, como cônjuges, filhos e, em algumas situações, pais ou irmãos.
Quem tem direito à pensão por morte?
Tem direito à pensão por morte os dependentes do segurado falecido, incluindo cônjuge ou companheiro, filhos menores de 21 anos (ou inválidos/deficientes) e, na ausência destes, pais e irmãos. É fundamental que o falecido tivesse qualidade de segurado no momento do óbito ou estivesse recebendo algum benefício do INSS.
Como solicitar pensão por morte no INSS?
A solicitação pode ser feita pelo site ou aplicativo Meu INSS, preenchendo todos os dados solicitados e anexando os documentos necessários. Caso o segurado não consiga acessar online, o pedido pode ser realizado presencialmente por agendamento nas agências do INSS.
Quanto tempo demora para receber pensão?
O prazo de análise do INSS varia, mas geralmente pode levar de 30 a 60 dias após a apresentação de toda documentação correta. Em casos de documentação incompleta, esse tempo pode se estender enquanto o INSS solicita regularizações.
O que pode causar o cancelamento da pensão?
O cancelamento da pensão ocorre, em regra, quando o dependente perde o direito (por exemplo, filhos ao completar 21 anos, recuperação da capacidade, casamento do cônjuge em algumas situações) ou por falta de prova de vida. Também pode ser cancelada caso se identifiquem irregularidades ou fraude na concessão.
Se quiser saber mais sobre os seus direitos, visite também nossos conteúdos sobre direitos previdenciários. Assim, você se mantém sempre bem informado e seguro.